Um banco comunitário para reduzir a pobreza

Um banco comunitário para reduzir a pobreza

Iniciativa sem fins lucrativos que tem como objetivo fomentar a economia local para a geração de trabalho e renda lança aplicativo para associados

O Neurobanco – primeiro banco comunitário do Paraná – acaba de lançar mais uma novidade: um aplicativo que vai gerenciar as contas dos associados. O aplicativo funciona como de um banco convencional com acesso a conta corrente, transações diversas dentre elas: consulta a saldos e extratos, transferências, pagamentos e cobranças. “A partir de agora a moeda Neuro será apenas virtual. Essa é uma forma de evitar fraldes e de reduzir custos”, explica Thiago Müller Gramkow, agente de inclusão financeira.

Para utilizar a ferramenta batizada de E-Neuro é preciso estar associado ao Neurobanco e baixar o aplicativo que está disponível gratuitamente apenas para celulares com sistema operacional Android. A partir de 14 de setembro, celulares com as plataformas Windows Phone e Apple também poderão utilizar o sistema.

Um banco sem lucro

Para boa parte das pessoas é difícil acreditar que um banco não tenha como objetivo principal o lucro. Mas, não no Neurobanco. Aqui o princípio básico é que uma empresa só cresce se a comunidade em que estiver inserida crescer junto. Por isso, um banco tem papel fundamental, reunindo empresários de atividades afins e oferecendo crédito facilitado.

É com este pensamento que NeuroBanco reúne associados e não clientes. Estes passam a fazer parte do grupo com taxa de adesão e têm acesso a serviços como microcrédito, educação financeira e uma moeda social própria para ser usada no comércio do Boqueirão, o Neuro. As operações feitas nessa nova moeda não têm juros e as que se mantiverem em real, terão juros abaixo do mercado.

O nome da moeda é um o trocadilho descontraído com a moeda europeia, o Euro. “O nome é uma brincadeira de que todos nós temos neurônios para trocar, precisamos usar mais a cabeça”, descontraí Lutero Couto, coordenador do NeuroBanco.

Como funciona?

Para se associar ao Neurobanco é preciso pagar uma taxa de adesão: R$ 250,00 para pessoa física e entre R$ 350 e R$ 1mil para pessoa jurídica, conforme o porta da empresa. O valor é usado para manutenção dos serviços do banco.

Para utilizar a nova ferramenta oferecida pelo banco comunitário basta instalar o aplicativo no celular. Na sequência, será necessário um cadastro inicial para habilitar o telefone a fazer as transações e consultas financeiras.

Melhorar o mundo: começa aqui

Para combater a pobreza os idealizadores do projeto escolheram a Vila Pantanal, localizada no Alto Boqueirão, para dar o ponta pé inicial a iniciativa. “Nessa região, 80% das pessoas não têm conta bancária. A moeda social não consulta SPC ou Serasa para conceder o crédito. Consulta gente da comunidade para saber se podemos emprestar o dinheiro para aquela pessoa, concedendo empréstimos a quem muitas vezes não tem nem endereço, mas pode empreender”, detalha Thiago.

Os moradores desta região terão linhas de crédito de até R$ 15 mil por pessoa, sem juros e pagarão apenas uma taxa administrativa. Inicialmente, o banco vai atender os bairros da regional Boqueirão, mais especificamente a Vila Pantanal. “Vamos fortalecer a economia da Vila Pantanal para promover o desenvolvimento social, implantando programas de geração de renda e emprego”, conta Thiago.

  • Inspiração
O projeto foi inspirado pela iniciativa do pai do microcrédito e dos negócios sociais Muhammad Yunus, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2006. Yunus é o fundador do Grameen Bank e de outras 50 empresas em Bangladesh, a maior parte delas como negócios sociais. Em 1976, o Professor Yunus começou a fazer experiências com o fornecimento de pequenos empréstimos para os pobres sem as garantias e exigências tradicionais dos bancos comerciais. O projeto foi chamado de Grameen Bank e, mais tarde, em 1983, tornou-se um banco oficial para fornecer empréstimos aos pobres, principalmente mulheres na zona rural de Bangladesh. Hoje o Grameen Bank tem mais de 8,4 milhões de mutuários, 97% dos quais são mulheres, e desembolsa mais de 1,5 bilhões de dólares por ano. A ideia se espalhou por quase todos os países do mundo, incluindo países desenvolvidos e industrializados.