Destaques
Há dez anos Centro Cultural promove arte e cultura no Boqueirão
Na imagem Marcio Roberto Gonçalves, o idealizador do Centro Cultural do Boqueirão. Foto: Ana Carolina Girardi

Há dez anos Centro Cultural promove arte e cultura no Boqueirão

Com oficinas de teatro a disposição da população da região, local tem como lema a descentralização cultural

A violência urbana faz vítimas diariamente. O trauma faz com muitas pessoas se tornem reféns do medo, e com toda razão. Mas será possível tirar algo de positivo de uma situação como essa? O produtor, diretor e ator Márcio Roberto Gonçalves provou e prova diariamente que sim, é possível fazer a diferença na vida das pessoas. Em 2005, seu filho foi assaltado no bairro Boqueirão, região em que Márcio foi criado e passou a vida inteira. E o que poderia ser um episódio traumático serviu de incentivo para a criação do Centro Cultural Boqueirão.

“Nunca tive esse problema e de repente me deparo com meu filho morando em um bairro perigoso. Senti a obrigação de fazer alguma coisa pela região, e o que eu podia fazer para tentar melhorar a vida dessas pessoas era oferecer os meus conhecimentos”, relembra Márcio.

Desde esse episódio já se passaram 10 anos, de lá pra cá o Centro Cultural Boqueirão oferece aos moradores da região acesso a cultura, com oficinas de teatro. Entre oficinas teatrais, apresentações artísticas e montagens passaram pelo local, até o ano passado, 10 mil pessoas.

Reconhecimento

De um projeto de empreendedorismo cultural, como o Gonçalves classifica o CCB no início, a referência de cultura na cidade. Em 2008 a peça “Teimosinho mandão, dois idiotas sentados cada um com seu barril”, recebeu o prêmio Gralha Azul de melhor espetáculo do Paraná. E desde 2010 o CCB passou a receber espetáculos do Festival de Teatro de Curitiba.

Mais recentemente a produção “A arca de Noé” recebeu nove indicações para o Gralha Azul, principal premiação de teatro do Estado. A peça, inclusive, está em cartaz em São Paulo, o que é motivo de muito orgulho. “Essa é mais uma ação que nos deixa muito feliz e nos da a certeza que o trabalho que estamos fazendo no bairro é muito bem feito e pode ser referência até mesmo em outros estados”, comenta Gonçalves.

Dificuldades

Mesmo diante de tantas conquistas e reconhecimento o CCB ainda enfrenta as mesmas dificuldades do início. Longe do Centro da cidade, que concentra grande parte das representações artísticas, e sem apoio do poder público, o local é mantido por meio de eventuais editais públicos que são abertos e pela comunidade, que contribui com a realização de bingos e eventos.

“Nós esperávamos que essas dificuldades acontecessem nos primeiros três anos e que depois, com toda essa visibilidade, pudéssemos ter algo mais concreto”, diz Gonçalves.

Mas nem as dificuldades do presente são capazes de desanimar Gonçalves, que vê um futuro brilhando para o CCB. “Temos um projeto arquitetônico que em algum momento vamos conseguir coloca-lo em pé, tornando o Centro Cultural Boqueirão grandioso, como ele sempre foi”, afirma.

Oficinas

Atualmente o Centro Cultural Boqueirão tem três turmas de oficinas de teatro, mas a expectativa é de que até o final do ano oficinas de música e dança também estejam a disposição da população.

As inscrições poder ser feitas pelo site www.centroculturalboqueirao.com.br. Crianças e jovens que estudam na rede pública de ensino tem acesso gratuito. Para quem estuda em escola particular é cobrada uma taxa de R$100 reais que ajuda na manutenção do espaço.