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A vida de um atleta não profissional
Foto: Simone Seguro

A vida de um atleta não profissional

Os desafios de conciliar trabalho e a rotina de treinos 

"Ainda não sou um corredor profissional, isso é muito difícil aqui em nosso país, um país onde atleta de corrida de rua não tem o apoio necessário que precisa pra se manter em alto nível."

“Ainda não sou um corredor profissional, isso é muito difícil aqui em nosso país, um país onde atleta de corrida de rua não tem o apoio necessário que precisa pra se manter em alto nível.”

Treinar, preparar o corpo, cuidar da alimentação, traçar estratégias, competir. Uma rotina que requer dedicação exclusiva de todo atleta profissional e um esforço extra para aqueles que ainda não conseguem viver apenas do esporte, como é o caso de Samuel Rodrigues da Silva. Há quatro anos ele se dedica as corridas de rua, mas encontra na parte financeira sua maior dificuldade nesse processo. “Em 2016 eu ainda trabalhava registrado em uma empresa e não tinha horário pra sair, e, consequentemente, não tinha muito tempo para treinar. Foi então que resolvi trabalhar como autônomo para me dedicar mais aos treinos”, explica ele. A saída encontrada por Samuel foi virar motorista de aplicativos. “Essa é a forma que encontrei para poder fazer meus horários e ter tempo para treinar melhor, mas é uma profissão que tem um desgaste grande por ficar horas e horas dirigindo”, conta.

Apesar do cansaço a decisão já começou a render bons resultados. Em janeiro, Samuel conquistou o 4º lugar geral nos 5km da prova Batel Run – que reuniu mais de dois mil participantes -, em 2016 ele havia ficado em 17º lugar nesta prova. Aliás, 2017 foi – para Samuel – seu melhor ano. “Estive em 18 pódios, dentre eles o 4° lugar geral nos 5km da Maratona de Curitiba; 3° lugar geral nos 5km da Corrida do Bombeiro; 2° lugar geral nos 5km da Corrida do Coxa”, destaca com orgulho.

Para 2018 ele quer mais. A Maratona de Curitiba e a Maratona de Porto Alegre, são os focos da vez. “Quero correr os 5km abaixo dos 16 minutos ainda esse ano”, observa. Por isso Samuel treina duas vezes por dia, sete vezes na semana.

Mas, para concretizar esses planos o isso o principal objetivo é conseguir um patrocínio maior. “Atualmente tenho algumas empresas de amigos que me ajudam há mais de 2 anos. E isso já faz uma diferença enorme porque tudo é gasto e tudo caro. Porém, para se manter e ser um atleta profissional é preciso de um suporte da cidade ou governo. Ou ainda patrocínios de empresas para poder focar em treinos e poder ter resultados expressivos”, completa.

Samuel sonha – e trabalha – com a possibilidade de se tornar um atleta profissional. “Faço isso porque gosto, mas é muito difícil se manter em alto nível. Quero ainda poder viver desse esporte, poder fazer uma faculdade de Educação Física e dar aulas. Passar tudo o que sei a outras pessoas. Acredito que isso é o mais legal: incentivar e ser inspiração para que outras pessoas possam entrar nesse mundo saudável”, finaliza.