Leões da Mocidade é a Regional Boqueirão no Carnaval de Curitiba

Escola vai levar para a avenida a obra de Waltel Branco, um dos mais importantes maestros, compositores e arranjadores brasileiro

Leões da Mocidade entra na avenida no dia 2 de março e quer representar os bairros Boqueirão, Hauer e Alto Boqueirão à altura.

Leões da Mocidade entra na avenida no dia 2 de março e quer representar os bairros Boqueirão, Hauer e Alto Boqueirão à altura.

O enredo “Preto e Branco, no Prelúdio Erudito e Popular de Waltel” vai ganhar vida na Avenida Marechal Deodoro no dia 2 de março, data em que a escola Leões da Mocidade, que abrange boa parte da Regional Boqueirão, se apresenta para contar a história de um dos mais célebres compositores da música brasileira, Waltel Branco. “Esse enredo há muito tem nos perseguido. A obra de Waltel Branco é vastíssima e está presente em boa parte dos discos que foram gravados no Brasil entre as décadas de 50 e 80. Esteve presente em muitas trilhas sonoras de novelas da Rede Globo de 1965 até meados dos anos 80, influenciando assim o gosto musical do brasileiro. Sua carreira se estendeu mundo afora (EUA, Europa, Cuba, etc.). Talvez umas das obras mais conhecidas mundialmente é a música tema da “Pantera-cor-de rosa” em parceria com Henry Mancini”, conta animado o Diretor de Carnaval da Leões da Mocidade, Wiliam Ricardo Lenerneier.

Para contar essa história a escola pretende desfilar com aproximadamente 500 integrantes divididos em 13 alas e quatro carros alegóricos. “Nós da Leões temos a necessidade de promover os artistas que nasceram no Paraná e ganharam notoriedade na cena nacional e internacional. Em 2013 homenageamos a poetisa paranaense Helena Kolody. Waltel Branco faleceu em 28 de novembro de 2018 aos 89 anos, já tínhamos feito o convite e ele viria para nosso desfile. Ficou muito emocionado em saber que uma agremiação (da terra dele) iria homenageá-lo em vida. Porém, fomos pegos de surpresa, sua morte, que nos entristeceu muito. Mas continuamos com o enredo e vamos cantar bem alto na avenida “Eu sou Leões e vou cantar, Waltel Branco em sinfonia, na trilha da pantera viajar, do erudito ao popular”, para que ele possa ouvir onde quer que esteja o nosso tributo ao mestre”, diz William.

Carnaval e Curitiba

A festa carnavalesca e a capital paranaense ainda parecem não andar em compasso. Mas, para William a sintonia entre as duas coisas é uma questão de ponto de vista. “O Carnaval representa um símbolo no Brasil, tanto para os que amam como para os que odeiam. O evento impacta a vida de toda nossa nação. Em algumas cidades ele influencia setores como a economia, o turismo e a publicidade, etc. Em outras regiões o carnaval é mais marcado pelas festas e diversidade de interação entre pessoas. Já os que não gostam aproveitam esses quatro dias para viajar, meditar, fazer retiro ou mesmo descansar. Não tem como dizer que alguém não “aproveita” o Carnaval”, reforça.

E mesmo para os que insistem em dizer que Curitiba não tem Carnaval, o Diretor Carnavalesco mostra uma evolução com o apoio da administração municipal. “O maior obstáculo para se promover um espetáculo de qualidade é o investimento financeiro. Mesmo assim, a Prefeitura tem contemplado as agremiações com valores maiores (o dobro), com relação aos carnavais anteriores. A parte da estrutura de desfile melhorou bastante também, passando de um para dois dias de desfile. Mas temos muito que evoluir, e o prefeito Rafael Greca se mostrou bastante receptivo às propostas apresentadas pelas escolas nestes dois anos de gestão”, destaca.

A escola e a comunidade

“A cada carnaval as pessoas vêm e vão, e muitos ficam para compor nossa família. Já nos bairros do Boqueirão, Hauer e Alto Boqueirão (áreas de abrangência da Escola), alguns moradores nos veem com entusiasmo, outros com uma certa resistência, o que achamos perfeitamente natural”, explica William. Mas para romper o paradigma de que uma escola de samba pode representar uma região eles têm montado uma equipe forte e atuante para aproximar a população da Leões da Mocidade. “Estamos abertos a qualquer cidadão que queira somar e, lógico, investir na nossa escola. Possuímos uma coletividade que atingiu vários segmentos e hoje deixamos de ser uma mera escola de samba. Somos uma agremiação que representa a cultura popular, e porque não, o povo da região do Boqueirão, completa.

William também reforça que a Leões da Mocidade é a única escola de samba que possui Ponto de Cultura. “Pontos de Cultura são projetos financiados e implementados por entidades que visam à realização de ações de impacto sociocultural nas comunidades e apoiados institucionalmente pelo Ministério da Cultura. No nosso projeto foram realizadas oficinas de costura, marcenaria, artes carnavalescas e música. Agora estamos traçando novas intervenções durante o ano de 2019 após o Carnaval”, complementa.

2020 já está aí

Após o Carnaval deste ano a escola passa a realizar um evento por mês até meados de setembro com intuito de manter unidas as pessoas que participam. “Passado este período haverá um calendário diferenciado com um maior número de atividades direcionadas ao próximo enredo. Para aqueles que se interessarem possuímos uma página no Facebook que informa todas as nossas festas, eventos e movimentações; inclusive os locais e horários”, convida William.

A trajetória da Leões

Fundada em 17 de abril de 2007 a Sociedade Recreativa Beneficente e Cultural Escola de Samba Leões da Mocidade surgiu de uma dissidência. “Naquele ano, a escola de samba Mocidade Azul foi penalizada não podendo desfilar no próximo Carnaval. Alguns integrantes que queriam desfilar fundaram a Leões. Uns fundaram, mas retornaram à escola anterior, outros continuaram, e estão até hoje conosco”, lembra.

No primeiro desfile (2008) a escola conquistou o primeiro lugar do grupo de acesso, mantendo-se até hoje no primeiro grupo. “Desde então nossa escola cresceu chegando em alguns anos a desfilar com o maior número de foliões na avenida (720 componentes) conquistando o segundo lugar em 2012. Em 2016 a escola não desfilou, pois houve um desacordo com relação à verba que seria liberada sem tempo hábil para nos prepararmos para o desfile. Mas não fomos penalizados por isso. Atualmente estamos bastante felizes, pois crescemos em tamanho e qualidade e pretendemos nos tornar a maior escola de samba de Curitiba, à altura do bairro Boqueirão”, finaliza.

Para os que desejam desfilar ainda em 2019 a escola informa que ainda possui vagas e destinou duas alas para a comunidade e as fantasias são totalmente gratuitas, incluindo as sapatilhas. Os ensaios acontecem às segundas e quartas-feiras, às 20h, na Associação Santo Inácio de Loyola (Rua Joaquim de Freitas, 386. Boqueirão).

Mais informações www.facebook.com/leoesctba

GALERIA DE FOTOS: