Procura de interessados em deixar de fumar cresce 39% na rede de saúde de Curitiba

Seu Antônio Rybas parou de fumar através dos Grupos de Controle do Tabagismo, e fez o tratamento dentário com a dra. Edina da SMS. Foto: Levy Ferreira/SMCS

Seu Antônio Rybas parou de fumar através dos Grupos de Controle do Tabagismo, e fez o tratamento dentário com a dra. Edina da SMS. Foto: Levy Ferreira/SMCS

Cresceu a procura de pessoas interessadas em parar de fumar em Curitiba. Os dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) apontam uma alta de 39% de procura por tratamento, no primeiro quadrimestre desse ano em relação ao ano anterior. De janeiro a abril, 758 pessoas foram atendidas nas unidades de saúde de Curitiba, mais que as 462 do mesmo período do ano anterior.

O aumento da procura é fruto do trabalho das equipes da Secretaria de Saúde, que estão orientando a população para largar o vício, intensificando as abordagens nas 111 unidades de saúde. No último levantamento do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) do Ministério da Saúde, em 2017, Curitiba aparece como a capital com maior índice de fumantes, com 15,6%.

Abordagem

O aposentado Antonio Rybas, 63 anos, foi uma das pessoas influenciadas pelas equipes da Saúde, sendo abordado quando foi buscar uma consulta odontológica. Fumante havia 46 anos, ele admitiu que sempre pensou em parar, mas não tinha coragem ou uma orientação que o ajudasse a largar o vício. “A agente de Saúde me convidou para participar do grupo. E isto foi a ajuda que eu precisava para começar a largar o cigarro”, contou.

A ação mais intensa com os participantes do grupo de apoio tem aumentado o resultado de quem consegue deseja largar o vício. Em 2018, 48% conseguiam deixar a fumar após passar a primeira fase do tratamento. Neste ano, o número subiu 54,1% com a ação direta da equipe de Saúde.

O diretor do departamento de Atenção Primária à Saúde, Juliano Gevaerd, explica que esta abordagem mais intensa ajuda a superar o primeiro mês de tratamento. Este período é o mais difícil para o fumante, porque a dependência física por substâncias químicas, como a nicotina, afeta as condições de saúde. “Nesse período, a pessoa sofre alteração de humor, aumento de ansiedade, por isso a importância do apoio profissional”, explica.

Grupos de Controle

Os Grupos de Controle do Tabagismo são ofertados nas 111 unidades de saúde do município. Atualmente, há em aberto 60 grupos, com vagas para novos participantes. O coordenador explica que é necessário ter um número mínimo de candidatos para iniciar um grupo. “Quando não há grupo em andamento, o usuário é encaminhado para a unidade mais próxima”, disse.

No primeiro mês, os encontros acontecem uma vez por semana. Após esse período, os intervalos de tempo serão maiores e obedecerão a necessidade de cada caso. Em algumas situações, são prescritas medicações pelo médico da unidade de saúde.

Intensificação

Para ampliar a ação de combate ao tabagismo, a Secretaria de Saúde capacitou todos os agentes comunitários da saúde (ACS). “Durante as vistas nas casas, eles fazem a abordagem, dão orientações e esclarecimentos sobre o Programa de Controle do Tabagismo de Curitiba”, conta Gevaerd.

Agora em junho, serão capacitadas as equipes dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) para ajudar a ampliar os grupos de apoio às pessoas que queiram largar o cigarro.